Economia: Ciência e Ideologia

Há muito tempo, sabemos que o desenvolvimento da ciência obedece não só a uma lógica interna, ditada pela interação entre teorias e experiências, mas também a fatores políticos, econômicos, culturais e ideológicos. Por mais estranha que seja a natureza, os cientistas que a estudam são controlados, na formulação de suas teorias, pelos testes de laboratório e outras experiências empíricas. Já os que lidam com pessoas – e por detrás das estatísticas econômicas, existem pessoas – não contam com tal controle, ou contam em medida muito limitada, e estão bem mais sujeitos à influência desses fatores, o que explica a existência de "escolas" nas ciências sociais e humanas.

Há 120 anos, a Economia é dominada por uma ortodoxia, a teoria neoclássica, notavelmente desligada dos fatos e aferrada à ideologia liberal. Essa teoria ficou muito abalada ao não saber explicar a Grande Depressão, quando o liberalismo entrou em colapso. Nos 40 anos seguintes, tal ortodoxia absorveu algumas idéias novas, mas permaneceu essencialmente a mesma, até que a instabilidade dos anos 70 e o fracasso das políticas do pós-guerra a fizeram se enrijecer, processo que se completou com o fim do socialismo, que desacreditou outra grande corrente da Economia, o marxismo, cujas tendências ao dogma são bem conhecidas – é interessante que o instrumental de análise neoclássico foi usado pelos marxistas para descrever uma economia socialista, o que mostra tanto o caráter ideológico desses instrumentos quanto a validade universal de parte deles. Assim, grande parte da Economia é irrelevante para resolver problemas concretos.

De fato, um economista amigo meu até hoje se sente frustrado por não poder estimar a curva de demanda (que mostraria que quantidades seriam compradas a cada nível de preços) das empresas em que trabalha – embora tal fato seja conhecido desde a década de 30, a noção dessa curva continua a ser ensinada sem qualquer ressalva. Outro exemplo é que, no que se refere ao desenvolvimento econômico, a teoria ortodoxa não diz muito mais do que recomendar trabalho a quem não tem emprego e poupança, a quem passa fome!

Meu pai era militar e, quando comecei a ler, os livros que dispunha eram sobre os assuntos militares. Isso fez me interessar pela política internacional, a qual me levou à Economia. Dentro desta, minhas áreas de interesse são dinâmica econômica, teoria do oligopólio e a abordagem evolucionista do progresso técnico e da concorrência.